Já sei. Você clicou aqui porque seu filho está chegando aos dois anos e ainda usa chupeta, acertei?
Talvez você tenha chegado aqui depois de mais uma noite tentando convencer seu filho a dormir sem a chupeta. Ou porque ouviu mais uma vez alguém dizer que ‘já passou da hora’ de tirar. Seja qual for o motivo, saiba que você não está sozinha.
No entanto, chega um momento em que o ciclo precisa se fechar. Seja por recomendação do pediatra, do odontopediatra ou porque você simplesmente sentiu que passou da hora, o processo de desmame da chupeta não precisa ser um filme de terror.
Bom, vamos entender o momento certo de agir e como conduzir essa transição respeitando o tempo do seu filho e a sua sanidade mental.
Por que a chupeta se torna um apego tão grande?
Antes de pensar em como tirar a chupeta, vale entender por que ela é tão importante para o bebê. Os bebês nascem com a necessidade fisiológica da sucção não nutritiva. Isso significa que sugar acalma, regula o sistema nervoso e traz sensação de segurança, pois remete ao útero e ao aconchego do seio materno.
Quando oferecemos a chupeta, suprimos essa necessidade. O problema é que, conforme a criança cresce, a sucção deixa de ser uma necessidade biológica e passa a ser um hábito emocional.
No meu caso, eu dei a chupeta para a minha bebê porque meu seio estava muito machucado. Percebi que, quando ela estava pegando no sono com o peito na boca, começava a chupetar o seio. Nossa, como doía! Então, com 19 dias de vida, acabei cedendo à chupeta.
Compreender que a chupeta representa segurança para o seu filho é o primeiro passo para ter a empatia necessária durante o desmame. Você não está tirando apenas um pedaço de plástico; está tirando um suporte emocional.
Qual é a melhor idade para começar a retirada?
Não existe uma data universal cravada no calendário, mas a ciência e a odontologia nos dão margens seguras. A recomendação da Associação Brasileira de Odontopediatria é que o uso comece a ser limitado a partir de 1 ano e que a retirada total aconteça, de preferência, até os 2 anos, estendendo-se no máximo até os 3 anos.
A partir dessa idade, a pressão constante nos ossos da face e nos dentes pode causar problemas de oclusão (como a mordida aberta), além de alterações na fala, na mastigação e na respiração. Além disso, quanto mais velha a criança fica, mais consciente ela se torna, e o apego pode virar uma teimosia difícil de contornar.
Preparando o terreno: as regras de ouro do desmame
Muitas mães falham porque tentam tirar a chupeta do dia para a noite em um momento de estresse. Para ter sucesso e evitar noites em claro com choro compulsivo, siga estes três pilares antes de agir:
- Escolha o momento de estabilidade: Nunca tire a chupeta durante grandes mudanças. Mudança de casa, entrada na escolinha, desmame do peito ou a chegada de um irmão mais novo já são estressores suficientes. Espere a rotina estar calma.
- Seja consistente: Se você decidiu começar o processo, toda a rede de apoio precisa falar a mesma língua. Avise avós, tios e a escola. Se a criança chorar na casa da avó e receber a chupeta de volta, o processo volta à estaca zero.
- Ofereça substitutos emocionais: Se o bebê usava a chupeta para se acalmar, você precisará preencher esse vazio com outra coisa. Pode ser uma naninha nova, um bicho de pelúcia, mais colinho, massagem ou uma música calma na hora de dormir.

Estratégias práticas para tirar a chupeta
Aqui não trabalhamos com fórmulas mágicas, mas sim com métodos que funcionam para diferentes dinâmicas familiares. Escolha o que melhor se adapta ao temperamento do seu filho.
Método 1: A retirada gradual (Ideal para bebês menores de 2 anos)
Se o seu filho ainda é muito pequeno para entender conversas longas e histórias lúdicas, o método gradual é o mais seguro e menos traumático.
- Fase 1: Restrição geográfica. A chupeta não sai mais do berço ou do quarto. Se a criança quiser a chupeta durante o dia, ela precisa ir para o berço e ficar lá. Geralmente, o desejo de brincar fala mais alto e ela prefere largar o bico.
- Fase 2: Uso exclusivo para dormir. A chupeta só aparece na hora do sono noturno e da soneca da tarde. Assim que o bebê adormecer profundamente, tire a chupeta da boca dele delicadamente.
- Fase 3: O sumiço definitivo. Quando a criança já se acostumou a passar o dia todo sem ela, você escolhe um final de semana para retirá-la também no sono. Prepare-se para acolher o choro nas primeiras duas ou três noites.
Método 2: O lúdico e a barganha (Ideal para crianças acima de 2 anos)
Crianças maiores já têm excelente compreensão e adoram se sentir integradas nas decisões. O lúdico funciona muito bem aqui.
- A fada ou o Papai Noel das chupetas: Convide a criança a juntar todas as chupetas da casa em uma caixinha para “dar de presente” para a Fada das Chupetas ou para o Papai Noel. Em troca, a entidade mágica deixa um brinquedo que a criança desejava muito.
- Troca na loja: Leve a criança a uma loja de brinquedos. Combine previamente com o vendedor (se puder) que a moeda de troca pelo brinquedo novo serão as chupetas velhas. Ver a criança entregando o objeto voluntariamente gera um sentimento de orgulho e autonomia.
- A técnica do furo (Com cautela): Faça um pequeno furo na ponta da chupeta com uma agulha esterilizada. Isso tira o poder de sucção (o vácuo). A sensação de sugar muda, perde a graça e muitas crianças largam o bico sozinhas em poucos dias dizendo que “quebrou”. Atenção: verifique diariamente se o látex ou silicone não está rasgando para evitar riscos de engasgo.
O que NUNCA fazer no processo
No desespero por resultados rápidos, é fácil cometer erros que podem gerar traumas ou quebrar a confiança entre você e seu filho. Evite ao máximo:
- Humilhar ou ridicularizar: Dizer frases como “você já é um menino grande, isso é coisa de bebê chorão” prejudica a autoestima da criança. Ela não está chorando porque quer ser mimada, mas porque está sofrendo uma perda.
- Passar substâncias perigosas ou ruins: Passar pimenta, remédios amargos ou substâncias químicas na chupeta para causar aversão pode ser perigoso para a saúde física e gera uma quebra abrupta de confiança.
- Jogar fora escondido sem aviso: Sumir com o bico e dizer que “sumiu” ou que “o cachorro comeu” sem preparar a criança pode gerar crises severas de ansiedade. O ideal é que ela participe ou saiba o que aconteceu.
Conclusão: Acolha o choro e confie no processo
Mãe, não se culpe por ter dado a chupeta. Às vezes, ela foi o que trouxe um pouco de paz em dias difíceis. Essa fase pode até demorar para passar, mas passa. Com carinho, paciência e constância, seu filho vai conseguir deixar a chupeta no tempo dele.
No meu caso, meu seio estava muito machucado. A chupeta acabou sendo o que me salvou naquele momento, porque me permitiu continuar amamentando sem tanta dor e aproveitar esse momento tão especial que é a amamentação.
Independentemente do método escolhido, o choro pode acontecer, e ele faz parte do luto da despedida da chupeta. O seu papel como mãe ou pai não é impedir a criança de chorar a qualquer custo, mas sim oferecer o seu colo como o novo porto seguro.
Segure na mão do seu filho, embale, cante e valide o sentimento dele dizendo: “Eu sei que você está com saudades da chupeta, mas eu estou aqui com você”.
Algumas crianças se adaptam em poucos dias. Outras levam algumas semanas. O importante é manter a calma e seguir com carinho. Depois disso, o cérebro da criança se adapta à nova realidade. Seja firme, mantenha o foco nos benefícios a longo prazo para a saúde do seu pequeno e lembre-se: nenhuma criança entra na faculdade usando chupeta. Isso também vai passar.
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